segunda-feira, 30 de julho de 2018

Solitude não é coisa de mãe?



Por Carolina Marques

"Quando você é mãe de pequenos, simplesmente não consegue ter aqueles momentos tranquilos para buscar a Deus".

Quantas vezes já ouvi declarações semelhantes, das mais diferentes fontes. De mães, que cansadas, querem me prevenir da frustração. De um dos meus autores preferidos. De pastores. De mim mesma.

Mas sou um tanto teimosa. Minha alma insiste, e me lembra constantemente da necessidade que tenho da presença de Deus. Como viver e desfrutar da vida de mãe se não for com a doce companhia dEle?

Então me arrisco sim, amigas, a tentar, tentar e tentar de novo. A ter aquele tempo de solitude, de calmaria no meio do caos. Peço ajuda ao marido, acordo mais cedo, vejo menos série. Pequenas vitórias, pequenas alegrias.

Mas em algum momento vem de novo a ansiedade, a insanidade de querer dar conta de tudo. E aí passam dias, semanas, até que o Espírito, que continua perto, pacientemente, me lembra: "É hora de recomeçar". E recomeço de novo.

Driblo a frustração, aceito, um tanto relutante, minha finitude e me lanço para, mais uma vez, receber do Seu amor.

Então, me desculpe se você pensa que solitude não é coisa para mãe, mas eu vou seguir nessa ousadia de acreditar que sim. Que Deus quer se encontrar comigo e que posso, nas minhas escolhas diárias, abrir espaço para esse encontro que "enche de bens a minha existência" (Salmo 103).

Se você é mãe, ouse duvidar dessa afirmação, você pode se surpreender.

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