quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Terceirizando a compaixão




Eu estava trabalhando em casa, quando soube de uma tragédia (naquelas escapadas para um site de notícias). Acho que orei rapidamente pela situação, mas precisava voltar ao trabalho. Senti-me culpado, a situação parecia pedir alguns minutos de luto, porém eu tinha muita coisa pra fazer. Agora admito, apesar de triste, eu não me importava tanto quanto sentia que deveria. Uma evidência disso, é que hoje já não consigo me lembrar que notícia era. Mas, naquela hora, frustrado com o acontecimento e, ao mesmo tempo, não reconhecendo a minha empatia limitada, eu tentei jogar a culpa para Deus num pensamento: “mas por que o Senhor permitiu isso, então?!”.

“Você quer se fazer de bom jogando a culpa pra mim?”, a resposta de Deus veio, imediata, num outro pensamento. Impossível ser mais certeiro. Eu tentei amenizar meu desconforto voltando-me para Aquele que era mais poderoso do que eu e, ainda assim, “não fez nada”. A resposta dEle desfez o engano logo em seu início e me deu a oportunidade de dizer: “Senhor, este sou eu com minha compaixão limitada. Eu sei que o Senhor se importa o bastante e tem poder para intervir nessa situação. Se desejas que eu faça mais do que orar, ajude-me a entender”.

Quero deixar claro que não acredito que Deus espere que nós vivamos em lamento por cada coisa ruim que venha sobre o mundo. Se fosse o caso, não haveria tempo para outra coisa que não para o choro e, é Ele mesmo quem diz que há tempo de chorar e tempo de sorrir (Ec. 3:4). É muito ingênuo acreditar que deveríamos (ou que poderíamos) “nos importar” com tudo. Algumas coisas serão mais importantes para nós do que outras, isso varia de pessoa para pessoa. Eu até acredito que as pessoas devem ter a liberdade de se importar ou não se importar com o que bem entendem, ainda que haja, sim, um sistema de valores absoluto ao qual devamos buscar nos alinhar, o do próprio Deus.

Mas o ponto desse texto é que eu não creio ser o único com a tendência de lançar nos ombros dos outros (e até de Deus) a compaixão que eu não sinto. As redes sociais dão uma mostra (irritante) disso.  Parece que todo mundo se importa muito com tudo e, por isso, estão sempre culpando alguém. Não estou tentando diminuir minha própria falha tornando-a um pecado universal, nem quero acusar pessoas indiscriminadamente. Feliz é você, se a carapuça não lhe servir. Mas quantas vezes você justificou a esmola que deixou de dar com o pensamento “Alguém deveria fazer alguma coisa sobre isso”? O alguém a quem acusamos pode ser o governo, a sociedade, a igreja, Deus. Você se afasta, sentindo que “se importa”, mas nem considerou que era aquela a única oportunidade de fazer algo por aquela pessoa. Claro, pode haver várias razões para não dar esmola. Você pode não querer sustentar um vício, você pode não ter dinheiro, você pode ter medo de ser assaltado e você também pode nem dar muita bola mesmo. Como a Dona Florinda e o Professor Girafales, discutindo o problema das crianças que não tem o que comer, enquanto comem um prato de biscoitos na frente do Chaves – e sem oferecer.

Ouvi uma vez, sobre o membro de uma igreja que, após o culto, ao ver alguns irmãos voltando de ônibus tarde da noite, perguntou indignado: “A kombi da igreja não poderia levar essas pessoas para casa?” Ao que o encarregado da kombi respondeu: “A kombi já está em serviço. Por que você não as leva no seu carro?”.

Se importar custa. E você não deveria jogar a conta para terceiros antes de estar, você mesmo, disposto a pagar. Não estou falando de deixar de responsabilizar quem é responsável. Ou deixar de pedir ajuda a quem tem poder para ajudar. O seu comprometimento é medido, no entanto, não pelo quanto você cobra, mas pelo quanto você está disposto a pagar. Tenho visto algumas pessoas pagarem caro, muitas vezes, silenciosa e solitariamente. Não porque não queiram ou não precisem de ajuda, mas porque assumiram aquela causa como sua responsabilidade pessoal. Já vi quem “discute a problemática da dependência química” e já vi quem tenta e consegue internar, até dezenas de vezes, a mesma pessoa. Já vi os que, de dentro da Igreja, a acusam de não se importar com os pobres e os que deixam família e conforto para anunciar o evangelho em aldeias e favelas.

Esses que pagam o preço são os últimos a engrossar o coro dos que “denunciam a omissão” de quem quer que seja. Talvez nem tanto por serem altruístas, quanto por estarem ocupados, realmente, fazendo alguma coisa. Algumas vezes, eles também precisam se desgastar com os que os denunciam por não se importarem com a causa A, em vez da B (aff!). Mas são essas, para mim, as pessoas de valor numa sociedade onde tanta gente “se importa” e onde há tantas causas pelas quais se importar. Depois delas, estão as pessoas que tem a honestidade de admitir que se importam demais consigo mesmas, ainda que não se possa apenas parar por aí.

Eu estaria mentindo se dissesse que a solução para essa questão não passa por Deus. A Bíblia diz que a Ele pertencem o poder – Ele é quem pode fazer qualquer coisa – e a misericórdia – ninguém se importa mais do que Ele (Sl. 62:11-12). Ainda assim, Ele não faz tudo o que as pessoas esperam que Ele faça e, como seres de poder e misericórdia muito limitados, seria sábio confiar em Suas decisões. E quanto à compaixão, sendo Ele a sua fonte, nós deveríamos buscá-lO para aprender a dar a medida adequada de importância a cada questão. Isso começa com admitir quando não nos importamos o bastante, já que Ele não se deixa enganar pelo nosso discurso.

Ah, e para quem leu até o final, de brinde, o trecho do episódio de Chaves.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Maria e seu Advogado


Escolher "a melhor parte" deu à Maria de Betânia o reconhecimento do próprio Jesus. Mas, considerando as reações daqueles em torno dela, não deve ter sido das escolhas mais fáceis. Se escolhermos o mesmo caminho hoje, qual será o resultado em nossa vida. O vídeo desta semana analiza o resultado dessa escolha na vida de Maria e se vale a pena tomar o mesmo caminho.

sábado, 18 de agosto de 2018

O que nada (nem o Agora) pode roubar de você


Estamos a menos de um mês do Agora 2018, um congresso para a Igreja do Senhor na América Latina e Caribe, realizado pela Cru, nossa organização missionária. Imagine todo o trabalho envolvido na realização de um grande evento. Agora multiplique pela palavra "missionário". Tá, não dá pra multiplicar por algo que não seja um número. Mas eu só queria uma maneira de expressar que qualquer desafio ganha uma dimensão muito maior se você acrescenta a palavra missionário a ele. Muito trabalho voluntário, contar com recursos que não sabemos como chegarão, se envolver em guerra espiritual. Não falo como murmuração, creio que é mesmo o "tempero especial" de Deus.

Nos últimos dias tenho pensado bastante na visita de Jesus a Marta e Maria. Sempre li o texto como se os três estivessem sozinhos. Mas hoje penso que não, Jesus atraía muita gente por onde passava, então a casa devia estar cheia. Não era um grande evento como o Agora, mas era o suficiente para deixar Marta bastante atribulada. As duas irmãs mostram dois tipos de resposta frente a momentos atribulados (mesmo um congresso "de Deus" como o Agora pode ser exemplo de um momento assim). Marta mostra que podemos colocar nosso foco no trabalho do Senhor, em vez de no próprio Jesus. Com Maria aprendemos que não precisamos responder à agitação ao nosso redor como a situação parece exigir.

Assista ao vídeo e pergunte ao Senhor se você tem sabido escolher a melhor parte. Se você está indo para o Agora, pergunte-se como seria se esse fosse um congresso de Marias.

Final de temporada


Missao dada, missão cumprida. Ok, demorou muito mais do que eu tinha planejado inicialmente. Mas aqui vai o último vídeo da série sobre Filipenses.

Ao dizer que o Deus de Paz estaria conosco se o imitássemos, estaria Paulo prometendo que o sofrimento deixaria de fazer parte da nossa vida. É fácil, pelo menos intelectualmente, compreender que o aqui e o agora não são o alvo de um verdadeiro seguidor de Jesus. Nossa esperança está nos céus. Porém, quem nunca se deixou abalar pelas dúvidas que aparecem quando sofremos? Fizemos algo errado? Deus se esqueceu de nós? Se coisas ruins continuam acontecendo, o que isso diz sobre a minha fé. Confira no vídeo.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Solitude não é coisa de mãe?



Por Carolina Marques

"Quando você é mãe de pequenos, simplesmente não consegue ter aqueles momentos tranquilos para buscar a Deus".

Quantas vezes já ouvi declarações semelhantes, das mais diferentes fontes. De mães, que cansadas, querem me prevenir da frustração. De um dos meus autores preferidos. De pastores. De mim mesma.

Mas sou um tanto teimosa. Minha alma insiste, e me lembra constantemente da necessidade que tenho da presença de Deus. Como viver e desfrutar da vida de mãe se não for com a doce companhia dEle?

Então me arrisco sim, amigas, a tentar, tentar e tentar de novo. A ter aquele tempo de solitude, de calmaria no meio do caos. Peço ajuda ao marido, acordo mais cedo, vejo menos série. Pequenas vitórias, pequenas alegrias.

Mas em algum momento vem de novo a ansiedade, a insanidade de querer dar conta de tudo. E aí passam dias, semanas, até que o Espírito, que continua perto, pacientemente, me lembra: "É hora de recomeçar". E recomeço de novo.

Driblo a frustração, aceito, um tanto relutante, minha finitude e me lanço para, mais uma vez, receber do Seu amor.

Então, me desculpe se você pensa que solitude não é coisa para mãe, mas eu vou seguir nessa ousadia de acreditar que sim. Que Deus quer se encontrar comigo e que posso, nas minhas escolhas diárias, abrir espaço para esse encontro que "enche de bens a minha existência" (Salmo 103).

Se você é mãe, ouse duvidar dessa afirmação, você pode se surpreender.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Mais fácil que diferenciar Paola e Paulina

                     Imagem relacionada
"Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis." (Mateus 7:18-20)


Jesus nos advertiu para que não nos surpreendêssemos. Há, misturados entre seus verdadeiros seguidores, aqueles que não tiveram suas vidas transformadas coisa nenhuma. Além de nos alertar sobre sua presença em nosso meio, Jesus nos dá, em sua Palavra, meios para identificá-los.

Na carta aos Filipenses, podemos ver claramente a diferença entre os verdadeiros seguidores de Cristo e aqueles falsos. Assista a segunda parte da mensagem Os heróis e os piratas, onde vemos as cinco características que distinguem aqueles que são dignos de serem imitados.

sábado, 14 de julho de 2018

Pensaram que eu tinha desistido?

Parecia mesmo, né? Tanto tempo sem postar, sem novos vídeos. Não era falta de ideias. Mas uma vez que se perde o ritmo, acaba sendo mais difícil retomar. Mas voltar era uma questão de honra, e eu voltei! A missão agora é concluir a série Filipenses. Este é oitavo vídeo, ficam faltando apenas dois.

O tema dessa vez é como a gente aprende a falsificar aqueles que são cópias autênticas de Jesus das cópias pirata. Não perde!