quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Terceirizando a compaixão




Eu estava trabalhando em casa, quando soube de uma tragédia (naquelas escapadas para um site de notícias). Acho que orei rapidamente pela situação, mas precisava voltar ao trabalho. Senti-me culpado, a situação parecia pedir alguns minutos de luto, porém eu tinha muita coisa pra fazer. Agora admito, apesar de triste, eu não me importava tanto quanto sentia que deveria. Uma evidência disso, é que hoje já não consigo me lembrar que notícia era. Mas, naquela hora, frustrado com o acontecimento e, ao mesmo tempo, não reconhecendo a minha empatia limitada, eu tentei jogar a culpa para Deus num pensamento: “mas por que o Senhor permitiu isso, então?!”.

“Você quer se fazer de bom jogando a culpa pra mim?”, a resposta de Deus veio, imediata, num outro pensamento. Impossível ser mais certeiro. Eu tentei amenizar meu desconforto voltando-me para Aquele que era mais poderoso do que eu e, ainda assim, “não fez nada”. A resposta dEle desfez o engano logo em seu início e me deu a oportunidade de dizer: “Senhor, este sou eu com minha compaixão limitada. Eu sei que o Senhor se importa o bastante e tem poder para intervir nessa situação. Se desejas que eu faça mais do que orar, ajude-me a entender”.

Quero deixar claro que não acredito que Deus espere que nós vivamos em lamento por cada coisa ruim que venha sobre o mundo. Se fosse o caso, não haveria tempo para outra coisa que não para o choro e, é Ele mesmo quem diz que há tempo de chorar e tempo de sorrir (Ec. 3:4). É muito ingênuo acreditar que deveríamos (ou que poderíamos) “nos importar” com tudo. Algumas coisas serão mais importantes para nós do que outras, isso varia de pessoa para pessoa. Eu até acredito que as pessoas devem ter a liberdade de se importar ou não se importar com o que bem entendem, ainda que haja, sim, um sistema de valores absoluto ao qual devamos buscar nos alinhar, o do próprio Deus.

Mas o ponto desse texto é que eu não creio ser o único com a tendência de lançar nos ombros dos outros (e até de Deus) a compaixão que eu não sinto. As redes sociais dão uma mostra (irritante) disso.  Parece que todo mundo se importa muito com tudo e, por isso, estão sempre culpando alguém. Não estou tentando diminuir minha própria falha tornando-a um pecado universal, nem quero acusar pessoas indiscriminadamente. Feliz é você, se a carapuça não lhe servir. Mas quantas vezes você justificou a esmola que deixou de dar com o pensamento “Alguém deveria fazer alguma coisa sobre isso”? O alguém a quem acusamos pode ser o governo, a sociedade, a igreja, Deus. Você se afasta, sentindo que “se importa”, mas nem considerou que era aquela a única oportunidade de fazer algo por aquela pessoa. Claro, pode haver várias razões para não dar esmola. Você pode não querer sustentar um vício, você pode não ter dinheiro, você pode ter medo de ser assaltado e você também pode nem dar muita bola mesmo. Como a Dona Florinda e o Professor Girafales, discutindo o problema das crianças que não tem o que comer, enquanto comem um prato de biscoitos na frente do Chaves – e sem oferecer.

Ouvi uma vez, sobre o membro de uma igreja que, após o culto, ao ver alguns irmãos voltando de ônibus tarde da noite, perguntou indignado: “A kombi da igreja não poderia levar essas pessoas para casa?” Ao que o encarregado da kombi respondeu: “A kombi já está em serviço. Por que você não as leva no seu carro?”.

Se importar custa. E você não deveria jogar a conta para terceiros antes de estar, você mesmo, disposto a pagar. Não estou falando de deixar de responsabilizar quem é responsável. Ou deixar de pedir ajuda a quem tem poder para ajudar. O seu comprometimento é medido, no entanto, não pelo quanto você cobra, mas pelo quanto você está disposto a pagar. Tenho visto algumas pessoas pagarem caro, muitas vezes, silenciosa e solitariamente. Não porque não queiram ou não precisem de ajuda, mas porque assumiram aquela causa como sua responsabilidade pessoal. Já vi quem “discute a problemática da dependência química” e já vi quem tenta e consegue internar, até dezenas de vezes, a mesma pessoa. Já vi os que, de dentro da Igreja, a acusam de não se importar com os pobres e os que deixam família e conforto para anunciar o evangelho em aldeias e favelas.

Esses que pagam o preço são os últimos a engrossar o coro dos que “denunciam a omissão” de quem quer que seja. Talvez nem tanto por serem altruístas, quanto por estarem ocupados, realmente, fazendo alguma coisa. Algumas vezes, eles também precisam se desgastar com os que os denunciam por não se importarem com a causa A, em vez da B (aff!). Mas são essas, para mim, as pessoas de valor numa sociedade onde tanta gente “se importa” e onde há tantas causas pelas quais se importar. Depois delas, estão as pessoas que tem a honestidade de admitir que se importam demais consigo mesmas, ainda que não se possa apenas parar por aí.

Eu estaria mentindo se dissesse que a solução para essa questão não passa por Deus. A Bíblia diz que a Ele pertencem o poder – Ele é quem pode fazer qualquer coisa – e a misericórdia – ninguém se importa mais do que Ele (Sl. 62:11-12). Ainda assim, Ele não faz tudo o que as pessoas esperam que Ele faça e, como seres de poder e misericórdia muito limitados, seria sábio confiar em Suas decisões. E quanto à compaixão, sendo Ele a sua fonte, nós deveríamos buscá-lO para aprender a dar a medida adequada de importância a cada questão. Isso começa com admitir quando não nos importamos o bastante, já que Ele não se deixa enganar pelo nosso discurso.

Ah, e para quem leu até o final, de brinde, o trecho do episódio de Chaves.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Maria e seu Advogado


Escolher "a melhor parte" deu à Maria de Betânia o reconhecimento do próprio Jesus. Mas, considerando as reações daqueles em torno dela, não deve ter sido das escolhas mais fáceis. Se escolhermos o mesmo caminho hoje, qual será o resultado em nossa vida. O vídeo desta semana analiza o resultado dessa escolha na vida de Maria e se vale a pena tomar o mesmo caminho.

sábado, 18 de agosto de 2018

O que nada (nem o Agora) pode roubar de você


Estamos a menos de um mês do Agora 2018, um congresso para a Igreja do Senhor na América Latina e Caribe, realizado pela Cru, nossa organização missionária. Imagine todo o trabalho envolvido na realização de um grande evento. Agora multiplique pela palavra "missionário". Tá, não dá pra multiplicar por algo que não seja um número. Mas eu só queria uma maneira de expressar que qualquer desafio ganha uma dimensão muito maior se você acrescenta a palavra missionário a ele. Muito trabalho voluntário, contar com recursos que não sabemos como chegarão, se envolver em guerra espiritual. Não falo como murmuração, creio que é mesmo o "tempero especial" de Deus.

Nos últimos dias tenho pensado bastante na visita de Jesus a Marta e Maria. Sempre li o texto como se os três estivessem sozinhos. Mas hoje penso que não, Jesus atraía muita gente por onde passava, então a casa devia estar cheia. Não era um grande evento como o Agora, mas era o suficiente para deixar Marta bastante atribulada. As duas irmãs mostram dois tipos de resposta frente a momentos atribulados (mesmo um congresso "de Deus" como o Agora pode ser exemplo de um momento assim). Marta mostra que podemos colocar nosso foco no trabalho do Senhor, em vez de no próprio Jesus. Com Maria aprendemos que não precisamos responder à agitação ao nosso redor como a situação parece exigir.

Assista ao vídeo e pergunte ao Senhor se você tem sabido escolher a melhor parte. Se você está indo para o Agora, pergunte-se como seria se esse fosse um congresso de Marias.

Final de temporada


Missao dada, missão cumprida. Ok, demorou muito mais do que eu tinha planejado inicialmente. Mas aqui vai o último vídeo da série sobre Filipenses.

Ao dizer que o Deus de Paz estaria conosco se o imitássemos, estaria Paulo prometendo que o sofrimento deixaria de fazer parte da nossa vida. É fácil, pelo menos intelectualmente, compreender que o aqui e o agora não são o alvo de um verdadeiro seguidor de Jesus. Nossa esperança está nos céus. Porém, quem nunca se deixou abalar pelas dúvidas que aparecem quando sofremos? Fizemos algo errado? Deus se esqueceu de nós? Se coisas ruins continuam acontecendo, o que isso diz sobre a minha fé. Confira no vídeo.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Solitude não é coisa de mãe?



Por Carolina Marques

"Quando você é mãe de pequenos, simplesmente não consegue ter aqueles momentos tranquilos para buscar a Deus".

Quantas vezes já ouvi declarações semelhantes, das mais diferentes fontes. De mães, que cansadas, querem me prevenir da frustração. De um dos meus autores preferidos. De pastores. De mim mesma.

Mas sou um tanto teimosa. Minha alma insiste, e me lembra constantemente da necessidade que tenho da presença de Deus. Como viver e desfrutar da vida de mãe se não for com a doce companhia dEle?

Então me arrisco sim, amigas, a tentar, tentar e tentar de novo. A ter aquele tempo de solitude, de calmaria no meio do caos. Peço ajuda ao marido, acordo mais cedo, vejo menos série. Pequenas vitórias, pequenas alegrias.

Mas em algum momento vem de novo a ansiedade, a insanidade de querer dar conta de tudo. E aí passam dias, semanas, até que o Espírito, que continua perto, pacientemente, me lembra: "É hora de recomeçar". E recomeço de novo.

Driblo a frustração, aceito, um tanto relutante, minha finitude e me lanço para, mais uma vez, receber do Seu amor.

Então, me desculpe se você pensa que solitude não é coisa para mãe, mas eu vou seguir nessa ousadia de acreditar que sim. Que Deus quer se encontrar comigo e que posso, nas minhas escolhas diárias, abrir espaço para esse encontro que "enche de bens a minha existência" (Salmo 103).

Se você é mãe, ouse duvidar dessa afirmação, você pode se surpreender.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Mais fácil que diferenciar Paola e Paulina

                     Imagem relacionada
"Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis." (Mateus 7:18-20)


Jesus nos advertiu para que não nos surpreendêssemos. Há, misturados entre seus verdadeiros seguidores, aqueles que não tiveram suas vidas transformadas coisa nenhuma. Além de nos alertar sobre sua presença em nosso meio, Jesus nos dá, em sua Palavra, meios para identificá-los.

Na carta aos Filipenses, podemos ver claramente a diferença entre os verdadeiros seguidores de Cristo e aqueles falsos. Assista a segunda parte da mensagem Os heróis e os piratas, onde vemos as cinco características que distinguem aqueles que são dignos de serem imitados.

sábado, 14 de julho de 2018

Pensaram que eu tinha desistido?

Parecia mesmo, né? Tanto tempo sem postar, sem novos vídeos. Não era falta de ideias. Mas uma vez que se perde o ritmo, acaba sendo mais difícil retomar. Mas voltar era uma questão de honra, e eu voltei! A missão agora é concluir a série Filipenses. Este é oitavo vídeo, ficam faltando apenas dois.

O tema dessa vez é como a gente aprende a falsificar aqueles que são cópias autênticas de Jesus das cópias pirata. Não perde!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Eu estou orando direito?


E quando a própria oração se torna um motivo de ansiedade? Deixa eu explicar o que eu estou querendo dizer. O dia havia começado. Eu precisava editar o vídeo da série de Filipenses sobre ansiedade (vejam só!), que tinha gravado há alguns dias. Mas estava tendo problemas com o programa (falta de habilidade) e ainda havia um monte de coisas pra resolver aquele dia. Lembrei: "preciso de um tempo a sós com Deus". Isso faz meio que parte da minha rotina e eu tento ter todo dia, mesmo nos mais cheios. Não é uma questão de disciplina, mas de necessidade. E naquele dia, havia muitas coisas pra tratar com Ele.

Bem, eu entrei no quarto e fechei a porta, com uma atitude que dizia: "então, Senhor, temos muitas coisas pra tratar hoje, sejamos objetivos". Pra entrar no clima, abri o youtube no celular, pra procurar alguma música de adoração. Logo de cara: "ih, tem vídeo novo do fulano, vou assistir". Clico pra ver, mas logo me dou conta: "não posso, estou no meu tempo com Deus". Isso acontece mais de uma vez e, nessa brincadeira, já se passaram 20 minutos. "Caramba! Daqui a pouco a Carol vai me pedir ajuda com as meninas". Resta pouco tempo. "Poxa, logo hoje?".

Então me lembro do que havia descoberto estudando Filipenses. A ansiedade deve ser tratada com oração (proseuché, no original) e súplica (deései). A primeira palavra indica lembrar de quem Deus é. E eu percebi que naquele meu tempo ali, eu ainda não tinha feito isso. Percebi que precisava gastar um tempo só me lembrando de quem Deus é, sem me preocupar em pedir, ainda que minha lista fosse bem grande naquela manhã. Marquei 10 minutos no celular e foi muito bom, mesmo com as distrações que tentavam chegar a todo momento. Lembrei do amor dEle por mim, lembrei que Ele sabia de tudo o que eu pretendia pedir, lembrei que, ainda que nada desse certo naquele dia, Ele estava cuidando de mim. Pedi perdão por perdê-lO de vista. Eu não dependia das minhas habilidades como editor de vídeos, chefe de família, missionário, administrador de finanças.

Isso abriu espaço pra segunda palavra, que significa apresentar humildemente a alguém a sua necessidade. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, pedir não incomoda a Deus. Ele nos ensinou a fazer isso, em sua Palavra. Mas, sem uma consciência de quem é Deus, do que Ele deseja pras nossas vidas, isso pode ser apenas pensamento positivo. "Então, Deus é um ser caprichoso, que impõe condições pra conceder bênçãos?". Não, Ele é um Deus amoroso, que sabe que conhecer a Ele é melhor do que ter qualquer pedido atendido.

Bem, depois daquele tempo lembrando de quem Deus é, eu falei pra caramba. Falei pra Ele de como estava cansado de esperar por certas coisas, de cometer os mesmos erros. Um monte de coisas que nem lembro direito. Só me lembro da tranquilidade que senti. "Uau, isso funciona mesmo!", pensei. Não que eu nunca tivesse experimentado isso antes, mas é o tipo de lição que a gente precisa aprender de novo, e de novo.

Minha vida não está à altura, nem mesmo, dos meus vídeos, hehe. Mas se eu escolhi falar sobre a Palavra de Deus, era pra ser assim mesmo.

Aqui, o link do vídeo.

Como vencer a ansiedade


O mesmo Deus que ordena "alegrem-se", também nos manda não ficar ansiosos. Mas isso é algo que está no nosso controle? Mais uma vez, a carta de Filipenses nos aponta o caminho e nos ensina como viver uma vida livre de ansiedade. Saiba como clicando no vídeo.

Também creio que fica evidente o quão disposto estou a pagar micos pra deixar a mensagem mais clara. Curta, comente e compartilhe. Confira também o post Eu estou orando direito?



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Reino novo, tesouros novos

Para uma criança pequena, uma cédula não passa de um papel colorido. Os adultos dizem que é dinheiro, ela pode brincar de vendinha, mas ela não sabe na verdade quanto vale aquela nota. Se considerarmos o que Jesus disse a Nicodemos - "Necessário vos é nascer de novo" (João 3:7) - vamos entender que leva tempo pra compreendermos o "sistema monetário" do novo Reino.

Neste vídeo - o sexto da série sobre Filipenses - vamos observar mais uma vez a vida de Paulo e o que, pra ele, tinha mais valor do que todas as coisas. Confira. Ah, e tem uma participação especial.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O que diria uma selfie da sua alma?


Janeiro ainda nem terminou, mas muita gente deve ter abandonado a lista de planos para o ano novo. Talvez nem todas as mudanças sejam necessárias assim.

Bem, tem uma coisa muito importante, que talvez não tenha entrado na sua lista: sua salvação. Você sabia que, depois de recebê-la, você precisa desenvolvê-la? Saiba porque e como, no vídeo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Sobre rótulos e a arte de desqualificar as pessoas



Nunca ouvi alguém dizer que gosta de ser rotulado. Mas precisamos admitir: rótulos são úteis. Eles nos dão um pouco de previsibilidade acerca das pessoas e nos poupam de gastar energia tendo que decifrar cada uma de suas ações. "Ah, ela é meio doidinha mesmo", "Tu sabe que ele gosta de mentir, né?", ou "Esse cara é muito engraçado!". Imagina o tempo que você gastaria no mercado se os produtos não estivessem separados por seções! Ter que olhar produto por produto até encontrar o que você precisa. Os rótulos acabam nos ajudando a categorizar as pessoas. Quem vale a pena ouvir, com quem tomar cuidado.

Isso não significa que os rótulos sejam justos. Os critérios que a gente usa são os mais variados: como a pessoa se veste, onde mora, o que posta na internet, no que trabalha. Às vezes, são totalmente subjetivos: "Meu santo não bate com o dele". Às vezes, são merecidos: "Tem gente que pede pra ser zoada, né?" Outras vezes, são intencionalmente construídos. Quem contrata uma celebridade para anunciar um produto, o faz por querer tirar proveito do rótulo associado aquela pessoa. E as tais celebridades são cuidadosamente assessoradas para comportar-se de acordo com a imagem que querem vender. Claro que não só as celebridades. Afinal, para que servem as técnicas de marketing pessoal? Até quem diz que não liga pro que os outros pensam está querendo vender a imagem de que não liga pro que os outros pensam.

Ok, os rótulos podem até nos proteger e ser vantajosos pra nós. Mas um sinal de maturidade é, admitindo sua existência e utilidade, reconhecer que eles não são a verdade. Se eles são uma maneira de simplificar a nossa vida, ficar preso a eles nos rouba. O crescimento que poderíamos experimentar, as pessoas que poderíamos conhecer, as mudanças que poderíamos alcançar.

O debate político é hoje um exemplo disso. Há dois lados disputando. Ao invés de buscar a verdade, o objetivo é provar estar com a razão. Você pode dizer qualquer coisa que o faça parecer estar certo, não importa se é verdade ou não. Só não vale escutar o outro. É o "coxinha", o "esquerdopata", a "feminazi", a "elite branca". O outro está desqualificado pro debate e assim você não precisa se dar ao trabalho de considerar o que ele diz. Quem está qualificado? Quem tem os rótulos certos e, normalmente, pensa igual, que faz acreditar que se faz parte do clube dos bons, contra os maus do lado de fora.

É assim que você quer passar o resto da vida? Ouvindo ecos de seus próprios pensamentos? Acreditando que a solução problemas da sociedade cabe todinha dentro da sua cabeça e das dos seus amigos? Não é só o outro que está sendo desqualificado, você também está. Sendo rotulado. Você já deve ter ouvido que o produto hoje somos nós. Redes sociais, sites de busca traçam nossos perfis e os vendem a quem quer nos vender coisas. E, sabendo o que gostamos de ver, o que procuramos, oferecem-nos sempre os mesmos assuntos.

Como escapar disso? Eu realmente não sabia onde ia terminar quando comecei o texto. Mas não consigo pensar em outra saída que não Ele. Jesus. Ele disse: "Eu sou a verdade" (João 14:6). É muito bom encontrar alguém que sabe quem é. Porque, sinceramente, estamos perdidos acerca de nós mesmos. Ficamos confusos no meio dos rótulos que criamos e dos que criaram a nosso respeito. E, para o nosso alívio, Ele sabe, além da verdade sobre Si mesmo, a verdade sobre nós. "Porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração" (1Samuel 16:7). E claro, se nós somos mais do que o que está diante dos olhos, podemos concluir o mesmo sobre os outros. Eles são mais do que seus rótulos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Dê uns tabefes na sua autoestima



Bem, o vídeo de hoje é resultado de uma surra que eu levei. Jesus orou pra que fôssemos um. Por que, então, unidade é algo tão difícil de cultivar? No quarto vídeo da série, vemos que Paulo descreve muito claramente como o relacionamento entre os cristãos deve ser. Mas isso também só parece mostrar que a tarefa não é nada fácil. Confira no vídeo!

Depois do vídeo confira o post com uma palavra inventada que tem me ajudado bastante.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

"Outro-estima"

As receitas para uma boa autoestima estão em todo o lugar. Mas, pelo menos biblicamente, ela não merece tanto destaque. Eu inventei uma outra palavra: "outro-estima", que creio estar mais alinhada com o que os cristão deveriam buscar.


"Eu tenho um problema com baixa autoestima, o que é realmente ridículo, considerando quão incrível eu sou"

"Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos." (Filipenses 2:3)

Esse versículo tem me confrontado bastante nos últimos dias. Tenho olhado várias das minhas atitudes e avaliado se, com elas, estou de fato considerando os outros superiores a mim mesmo. Quero compartilhar com vocês algumas das coisas que creio que precisam mudar na minha vida, à luz desse ensino.

Estar presente - Como a maioria das pessoas hoje, estou envolvido em muito mais coisas do que sou capaz de dar conta. Por causa disso, é muito comum que eu esteja sempre pensando em outra coisa do que preciso fazer. Isso acontece muito quando estou passando tempo com minhas filhas, por exemplo. Como elas são só crianças, acho que não tem problema se aproveito pra pensar em outras coisas quando estou com elas. Até me irrito quando a Cléo, percebendo minha dispersão, começa a exigir minha atenção completa. Não é só com elas que faço isso e é sempre uma perda. Se eu realmente estimo as pessoas, valorizo a companhia delas.

Ouvir - Um desdobramento de nunca estar 100% presente no momento, é não ouvir as pessoas de fato. Eu me disperso muito facilmente, então é um desafio pra mim. Mas aprecio muito quando me sinto ouvido, e sei que isso é importante pras pessoas também. E como lidar com aqueles que alugam? Encontrar uma maneira de sinalizar educadamente que você já ouviu o suficiente é melhor do que fingir estar prestando atenção.

Responder e-mails e mensagens - É muito chato gastar tempo escrevendo pra alguém e não receber uma resposta. Mas eu também acabo fazendo isso. Nem sempre eu tenho a resposta de que a pessoa precisa naquele momento. Mas não custa nada avisar que não posso responder agora, que preciso de tempo pra pensar. Penso no seguinte: como você responde a pessoas que tem algum "poder" sobre você, como seu chefe? Devemos considerar a todos como superiores, não apenas alguns. Responder demonstra que você valoriza aquela pessoa.

Ser pontual - Sempre acho que vai dar tempo de fazer tudo. Mas eu preciso reconhecer minhas limitações: não dá. Pra não deixar a pessoa esperando (já que o tempo dela é tão valioso quanto o meu), talvez eu não possa esperar pelo ônibus mais vazio. Ou então aquela tarefa, aquele lanchinho, ou até mesmo o banho, precisem ficar pra mais tarde.

Seguir regras como todo mundo - Me lembro de um professor de biologia dizendo que ele bebia e dirigia porque se garantia. O problema era alguém que não se garante fazer isso, segundo ele. Claro que condenei a fala dele. Mas o fato é que faço isso em outras áreas também. Por que não preciso entregar as tarefas no prazo? Por que não posso esperar a minha vez no trânsito?

Valorizar os sentimentos dos outros - Posso ser muito objetivo algumas vezes, não valorizando as necessidades da Carol (minha esposa) ou de alguém da minha equipe, por não serem fatos objetivos, mas sentimentos. Nossa vida não deve ser guiada pelas emoções, mas os sentimentos fazem parte de quem somos. Considerar os sentimentos de alguém expressa que valorizamos essa pessoa.

Tomar a iniciativa de resolver conflitos - Algumas vezes penso que não vale a pena conversar com alguém sobre um conflito ou uma discordância. Acho que aquela pessoa não vai entender, ou não é madura o suficiente. Mas, apesar de achar que posso dispensar a conversa, no meu coração a mágoa permanece, ou o sentimento de que posso descartar aquela pessoa. Se eu não posso seguir em frente sem ressentimento, procurar uma oportunidade pra resolver a situação, mostra que, de fato, eu estimo e valorizo aquela pessoa.

Servir - creio que essa é a principal maneira de tratar os outros como superiores. Eu estou disposto a ser tratado como inferior, se for o caso, pra servir a meus irmãos. Confesso que já servi com a atitude: "eu não precisava fazer isso!". Bem, se aquilo precisava ser feito, quem tinha que fazer, então? Preciso admitir que algumas vezes me acho bom demais pra algumas tarefas e me arrepender diante de Deus. A ideia de que quem serve é inferior não poderia estar mais longe da verdade. Pense em como Deus generosamente nos serve, nos dando tudo de que precisamos. Pense numa mãe, que cuida de um bebê, dá banho, troca fralda. Essas não são manifestações de inferioridade. Pra quem compreende essa verdade, servir é um privilégio.

Bem, de maneira nenhuma quero esgotar o assunto. Você concorda com a minha lista? Acredita que há outros itens que deveriam estar aí? Deixe seu comentário.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Fanáticos?!


Que tipo de pessoa você se torna quando compreende que Jesus é o único caminho pra salvação? Se você estivesse num prédio em chamas e soubesse que só havia um meio de escapar, o que você faria para convencer as pessoas a irem com você?

Compartilhar o que Jesus fez na nossa vida não é uma obrigação, é um privilégio. Como, então, podemos vencer o que nos impede de falar? Mais uma vez, voltamos a carta de Filipenses. Desta vez, nossa inspiração é alegria de Paulo ao anunciar o nome de Cristo e ver outras pessoas a fazerem o mesmo. Confira no vídeo!

sábado, 17 de dezembro de 2016

Preservando nosso coração

“Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.” (Hebreus 3:12,13)


Seria correto compreender com esse texto que perseverarmos na fé é algo que depende de nós mesmos? Certamente não! Assim como a nossa salvação é obra totalmente de Deus (Efésios 2:8-9), nossa perseverança é algo que depende totalmente dELe também. Fomos selados com o Espírito Santo, que é Aquele que nos preservará intactos até nos apresentarmos diante do Senhor (Efésios 1:13-14).

Misteriosamente, no entanto, ainda que tudo seja feito por Deus, Ele escolhe usar seus filhos nesse processo. Na salvação, por exemplo, alguém precisa pregar a mensagem. E, quanto a nossa perseverança, crescemos quando estamos conectados ao Corpo e quando nós mesmos o buscamos, movidos por Ele. Seria outro engano pensar que podemos simplesmente esperar a volta de Jesus vivendo nossa vida da mesma maneira que vivíamos antes de vir a Cristo.

Há duas coisas que eu gostaria de ressaltar com base no texto acima. A primeira é que precisamos cuidar do estado do nosso coração. No momento, eu sou pai de duas filhas pequenas e estou tentando não mergulhar totalmente no caos. Acredite, estarmos todos vivos é uma grande realização! Mas no processo tentar lidar com tudo, é muito fácil negligenciar meu coração, enquanto coisas terríveis crescem dentro dele. Medo, mágoa, amargura, inveja, incredulidade. Qual foi a última vez que pediu ao Senhor pra fazer uma ressonância completa em você? (ver Salmo 139)

A segunda coisa tem a ver com nossos relacionamentos. Quando ele começa falando de coração, poderíamos imaginar que concluiria falando para cuidarmos de nós mesmos. No entanto, ele fala para cuidarmos uns dos outros. Deus deseja que tenhamos o tipo de relacionamento em que podemos cuidar dos corações uns dos outros. Você costuma encorajar seus irmãos? Faz isso verbalmente ou de outras maneiras? Como eles recebem esse encorajamento? Se sente à vontade para questionar e confrontar? Você se sente encorajado pelos seus irmãos? Você é o tipo de pessoa que recebe com tranquilidade uma crítica ou correção? 

Quero te encorajar a pensar um pouco sobre essas questões. Seus comentários também serão muito bem vindos e podem ajudar outros irmãos lendo o site.

Deus vai terminar o que começou



Como explicar quando alguém que você via como um modelo de cristão deixa de andar com Deus? Era tudo mentira? E quanto às vezes em que essa pessoa disse ou fez algo que te abençoou? No primeiro capítulo da carta aos filipenses, Paulo fala das evidências que o faziam ter a certeza de que o trabalho iniciado por Deus em suas vidas seria concluído. Será que podemos ter esse tipo de certeza hoje? Confira no segundo vídeo do canal.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A carta da alegria

Há alguns anos eu sou um dos que respondem perguntas no site SuaEscolha.com, cujo objetivo é ajudar pessoas a conhecer a Deus. O volume de perguntas tem crescido muito nos últimos anos, num nível praticamente impossível de dar conta. A grande maioria das perguntas é de pessoas que querem aplicar em suas vidas os princípios que tem aprendido. Pra mim, está muito claro que essas respostas já estão na Palavra de Deus. Daí, surgiu a ideia de fazer alguns vídeos tentando responder às perguntas mais frequentes. Ainda não sei como será adaptar isso à minha rotina, nem como as pessoas irão receber. Inicialmente, será uma "temporada" de nove vídeos. Se haverá mais do que isso, ainda não sei.
De diferentes maneiras, as pessoas perguntam como podem encontrar a felicidade. A Bíblia fala de um conceito mais profundo, a alegria. A carta de Paulo aos Filipenses é conhecida como a carta da alegria. Por isso, para esses primeiros vídeos, quero apresentar algumas das lições que aprendi estudando esta carta.

Pretendo usar o blog para ir mais fundo em algumas questões, talvez indo um pouco mais fundo em perguntas de aplicação. Também é possível responder a algumas questões que possam surgir.


Claro que você pode me ajudar! Com suas orações, seu feedback, suas sugestões, suas perguntas. Deixe um comentário, se inscreva no canal, compartilhe, se você acha que pode ajudar outras pessoas. Um abraço e até a próxima!


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Sobre ouvir


“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as e elas me seguem” (João 17:27)

Como algo simples pode ser um dos exercícios mais difíceis? Quantos problemas seriam resolvidos se as pessoas simplesmente escutassem umas as outras? Se escutar as pessoas é difícil, quanto mais escutar Deus que não vemos? Você pode pensar: ‘mas se ELE estivesse aqui e falasse comigo, se eu pudesse vê-lO, com certeza eu o ouviria’.

Porém, a Bíblia relata que o povo de Deus também tinha dificuldade para escutá-lo. As palavras de Moisés, vindas do próprio Deus, eram desobedecidas logo após o fim dos discursos. E até mesmo os discípulos de Jesus não conseguiam ouvir o que Ele repetia inúmeras vezes. Essas histórias mostram que não tem a ver com ver milagres, ou ver a Deus. Mesmo as ovelhas de Jesus podem ter dificuldades para ouvir sua voz.

Eu compreendo duas coisas. Foi Deus quem me fez reconhecer Jesus como Pastor da minha alma. E ouvi-lO é algo que eu preciso aprender enquanto viver.

Ouvi-lO demanda atenção. Prestar atenção mostra que o Senhor é precioso e que vale a pena ouvir qualquer coisa que Ele disser. Vale a pena desacelerar. Vale a pena investir tempo para ler e meditar na sua Palavra.

Ouvi-lO exige disposição para obedecer. Quando Jesus fala, não é um conselheiro. É o seu Deus falando. Algumas vezes, nós nos enganamos como se não estivéssemos ouvindo. Mas a maior barreira é o medo de ouvir algo que não seja conveniente pra nós.

Ouvi-lO tem a ver com o coração. A mulher que ungiu Jesus preparou o corpo dEle para a sepultura. Os discípulos não haviam entendido as vezes que Jesus disse que iria morrer, mas ela entendeu. Jesus lhes perguntou outra vez: “não considerastes, nem compreendestes ainda? tendes ainda o vosso coração endurecido?” (Marcos 8:17). Ressentimento, orgulho, pecado e, até mesmo, expectativas frustradas podem tornar nosso coração duro.

Como está seu coração? Ansioso por ouvi-lO? Desejando obedecê-lo? Moldável? Conte ao seu Pastor.